30.9.08

hoje cinema no jardim A. Borges - Stromboli



Depois de assistir Stromboli fez muito mais sentido a aproximação que fazem entre Rossellini e Rohmer. Há momentos neste filme que o estilo é muito parecido ao do diretor francês. O registro de personagens (historicamente) pequenos; pouca preocupação, ou até mesmo uma provocação fleumática com a progressão dramática; a atenção nas relações do cotidiano e na tensão entre personagens que vêem o mundo de maneira diferente.

Mas o que parece diferir Rohmer de Rossellini é que este, através personagens e suas histórias, faz um comentário alegórico sobre a Itália recém saída da segunda guerra mundial. Este comentário é o do processo que um país antigo (o sul da Itália, principalmente) começa a passar com a entrada de elementos modernos em sua sociedade. Esta é claramente a situação de conflito do casal do filme, Antonio (Maro Vitale) e Karin (Ingrid Bergman), e de Karin com o povoado de Stromboli.

A ilha de Stromboli representa o antigo, o estagnado, o primitivo. Um aglomerado de pessoas que vive em forte ligação com a natureza, tendo a brutalidade impessoal dela no seu modo de existir, como quando Antonio mata um coelho com um furão, ou a cena da pesca de atum. Nesta última em especial, vemos outra parte do estilo do filme de Rossellini, o registro bastante documental das ações do povoado.

O povo age como parte constituinte da geografia local se adaptando as atividades do Vulcão, símbolo maior do primitivismo local. Exemplo disso é a cena em que o vulcão entra em erupção e o povoado todo se ilha em barcos no meio do mar. Essa relação do vulcão, o gigante que cria e destrói, parece ser a imagem perfeita deste modo de ser primitivo, que vive em ciclos, que respeita o que é bruto e antigo, que não muda (há isso também em A Terra Treme, de Visconti). Do outro lado temos a desolada Karin, refugiada de guerra, de origem do leste europeu, mas de hábitos cosmopolitas. E são seus hábitos também um dos pontos de conflito com seu marido e o povoado.

Independência, adultério, futuro, são algumas das questões confrontadas. Mas cabe ressaltar que a direção nunca põe os hábitos cosmopolitas acima dos primitivos. O registro documental, como na citada parte da pesca, mostra o olhar interessado de Rossellini pelo povo, assim como no final dramático, quando Karin tenta confrontar o vulcão e é engolida pela onda de pó, admitindo que não só o povoado está perdido, mas ela também. O que parece interessar é o confronto desses dois polos, essa situação complexa materializada no filho a vir do casal Antonio e Karin, no futuro da Itália.

Por último não poderia deixar de falar de Ingrid Bergman. Este é o primeiro filme em parceria do casal e também o momento do episódio polêmico em que Rossellini e Bergman começaram o seu caso que chocou a imprensa da época. Contudo, vendo o filme com um suposto olhar de realizador, este olhar que o cinéfilo sempre tenta se aproximar e pegar emprestado, não há de fato, entendendo assim a posição de Rossellini, como resistir a imagem de Ingrid Bergman.

le-pickpocket.blogspot.com
Postado por Lucian Chaussard

hoje fizemos para si



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22.9.08

amanhã 21.30h cinema no jardim António Borges




Eu, um Negro
Moi, un Noir (França, 1959).

De Jean Rouch. Cores. Duração 73’.

Jovens nigerienses deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim. Desenraizados em meio à civilização moderna, acabam chegando a Treichville, bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados a lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.

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19.9.08



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17.9.08

15.9.08

A batalha de Argel no jardim António Borges - luk at da treiler

Cinema amanhã no rotas jardim, 21.30h


A Batalha de Argel
A luta do povo argelino por sua libertação do jugo do colonialismo francês, apresentada no filme de Gillo Pontecorvo, tem como fio condutor a história de integrantes da Frente de Libertação Nacional (FLN), Ali-la-Pointe e seus companheiros que resistem na Casbah, o maior bairro popular da capital Argel. O filme apresenta um período desta luta, marco histórico no processo de libertação de colônias européias na África. A ação se passa entre 1954 e 1957 e o diretor, que mistura ficção e fatos reais, trata com veracidade a resistência argelina e a violência do exército francês, obtendo como resultado um “quase” documentário, intenso, emocionante, que mantém o espectador em suspense do início ao final do filme.

O coronel Mathieu (inspirado no coronel Jacques Massu – o carrasco de Argel) utiliza e defende abertamente a tortura para desbaratar a resistência argelina e manter o país sob domínio dos franceses. A tese - o uso da tortura e da humilhação como principal forma de combate - foi defendida publicamente em 1961, pelo coronel francês Roger Trinquier em seu livro "La guerre moderne", que serviu de “referência” para a “assessoria” de militares americanos em golpes de estado em países da América Latina. Há dois anos, segundo noticiou o jornal The New York Times, o filme foi exibido no Pentágono a militares norte-americanos inconformados com a tenaz resistência do povo iraquiano.

Em 1954, humilhados pela derrota da batalha de Diên Biên Phu imposta pelos vietnamitas, militares franceses radicalizam a violência contra os argelinos com o intento de manter seu domínio de mais de cem anos sobre o país, iniciado em 1830. A França ganharia uma batalha, mas perderia a guerra.

O filme, um clássico (agora em cópia restaurada), traz ao final uma das mais belas e emocionantes cenas do cinema.

A Batalha de Argel ganhou o Leão de Ouro e o prêmio Fipresci (da Federação Internacional dos Críticos), no Festival de Veneza em 1966. O filme foi banido na França até 1971 e o primeiro cinema que o exibiu sofreu um atentado. Ficou proibido no Brasil no período de ditadura militar.


A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri, Argélia/Itália, 1965)
Direção: Gillo Pontecorvo
Roteiro: Gillo Pontecorvo, Franco Solinas
Música: Ennio Moricone e Gillo Pontecorvo
Fotografia: Marcello Gatti
Elenco: Brahim Haggiag, Jean Martin, Yacef Saadi, Samia Kerbash, Ugo Paletti, Fusia El Kader, Mohamed Ben Kassen.
Produção: Casbah Films, Argel, em colaboração com Igor Film, Roma
Longa-metragem, P&B, legendas em português
Duração: 117 min

A Batalha de Argel conquistou e conquista público em todo o mundo. Após assistir o filme, Marlon Brando afirmou em entrevista que só filmaria na Europa se fosse com Pontecorvo. Dessa “parceria” nasceu outro clássico, dirigido por Pontecorvo, Queimada (1969), estrelado por Brando e Evaristo Márquez, sobre a dominação colonial nas Caraíbas.



Gillo Pontecorvo

Nasceu em Pisa, Itália, em 1919. Ligado ao Partido Comunista, começou a trabalhar como jornalista nos anos 1930; foi correspondente em Paris de jornais italianos. Ao final da II Guerra, tornou-se assistente de Joris Ivens, Yves Allégret e Mario Monicelli. Nos anos 50, dirigiu documentários antes de estrear na ficção com Giovanna, episódio do filme Die Vind Rose, (1954) sobre uma operária da indústria têxtil. Dirigiu também A Grande Estrada Azul (1957), Kapò (1959), Queimada! (1969), Ogro (1980), O adeus a Enrico Berlinguer (1984), Firenze, il nostro domani (2003).

Cenas do filme:

hoje temos para si

“Corredor” aposta na formação cultural

Propor uma abordagem diferente à Cultura nos Açores, sobretudo no que toca à formação nos mais variados campos artísticos”, é um dos objectivos da Associação Cultural Corredor, que tem vindo a apostar na diversificação e animação das noites no Jardim António Borges, em Ponta Delgada.
A Associação Cultural Corredor nasceu em Janeiro de 2008 e, segundo um dos seus elementos, Mário Roberto, a abordagem diferente que a “Corredor” quer dar à Cultura nos Açores passa, essencialmente, por “incentivar a nossa cultura”, afirmando que a cultura na Região “está de pernas para o ar, uma vez que não estamos a produzir nada na área cultural, enquanto que estamos a receber muita coisa de fora”, afirma. Para além disso Mário Roberto alega não deixar de ser interessante receber influências de fora dos Açores, mas “o mais interessante ainda é transformar essas influências em produção nossa e acho que é isso que falta”, afirma.
Em parceria com a Cooperativa Cultural Descalças e com o Rotas Jardim, a Associação Corredor apresenta no mês de Setembro um variado leque de actividades que abrangem as áreas da Música, Cinema, Literatura e Teatro.
Das actividades a realizar destacam-se os concertos ao vivo de Teresa Gentil, Luís Alberto Bettencourt e Maninho e Banda; as noites de cinema documental, que se realizam todas as terças-feiras até 30 de Setembro e a apresentação final da Oficina de Teatro, que se realizará no dia 20 de Setembro.
Segundo, Tiago Melo Bento, também membro da associação, “o Jardim António Borges é um sítio que propicia que as pessoas se sintam mais confortáveis do que noutros espaços”, para além disso acrescenta que, principalmente nas noites dedicadas ao Jazz “consegue-se juntar a harmonia do espaço com a música de qualidade, o que acaba por resultar muito bem.”
Ademais, refere que “embora não tenha havido muita divulgação, as pessoas têm aderido muito bem às iniciativas e estão contentes com o que se faz aqui.”||

Açoriano Oriental
Hoje

12.9.08

hoje temos para si




creme de grão de bico

quiche de alho francês e cogumelos

courgette e beringela com molho de açafrão

11.9.08

O Rotas é um bom vício





A revista Bons Vícius incluíu na sua última edição uma simpática referência a esta vossa casa. Pelo facto, os nossos agradecimentos.

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10.9.08

hoje temos para si






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9.9.08

Hoje cinema no Rotas Jardim - jardim António Borges

Onde fica a casa do meu amigo?
de Abbas Kiarostami
jardim António Borges - Ponta Delgada
21.30h




Um rapaz traz por engano um caderno de um colega. A pensar que ele será castigado por não apresentar os trabalhos de casa feitos no dia seguinte, este rapaz parte numa aventura para entregar o caderno.
Este é o primeiro da chamada "Triologia do Terramoto".


Sobre o realizador:

Abbas Kiarostami (عباس کیارستمی em Persa) (22 de Junho de 1940, Teerão) é um cineasta iraniano que em 1987 recebeu a Palma de Ouro pelo filme Gosto de Cereja.

Após ter terminado a licenciatura em Belas-Artes pela Universidade de Teerão, resolveu dedicar-se ao cinema, primeiro como assistente de realização, depois como realizador.

Estreou-se com o filme Nan Va Koutcheh em 1970. Rapidamente, Kiarostami se destacou pela visão realista que oferecia sobre a sociedade iraniana. Contudo, o filme que projectaria a sua carreira a nível internacional foi Khane-ye Doust Kodjast? (Onde é a Casa do Amigo?, 1987), onde realça a história de um menino natural de uma aldeia pobre, que foge de casa para procurar um companheiro de turma, na ânsia de lhe devolver um caderno.

Nunca deixando de ser um realizador visionário, procurou seguidamente apresentar uma nova visão da mulher iraniana contemporânea em Ten (2002), um filme profundamente marcado pelo intimismo e pela discussão filosófica.

matines-cinefilas.blogspot.com

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Michael Wimberley - demonstração de jambé

5.9.08





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hoje temos para si

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