7.8.08

hoje documentário no jardim antónio borges

Hoje. no jardim António Borges, pelas 21.30h. Um documentário de João Vladimiro com a presença do realizador






Jardim, de João Vladimiro



Tudo o que pode caber nos quatro hectares de jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Tudo mas mesmo tudo, como uma conversa que se prolonga e o assunto se esgota até à última sílaba. Foi assim, conta João Vladimiro, actor, bailarino e agora também realizador, «um diálogo com o jardim», todos os sentidos bem despertos durante um ano inteiro, 50 horas de filmagem, até captar as floras e faunas (até as humanas), o que está à vista, os bastidores, as ondulações das estações, «todos os estados de espírito» que aquele espaço arquitectado por Gonçalo Ribeiro Telles evoca. Os ramos, as folhas, os galhos despidos, os lagos, as pedras, as estátuas, os patos, as pessoas que contemplam, que relaxam, que namoram, que fazem Tai-chi, as crianças que brincam, o ucraniano que pesca peixes para a refeição, a mulher que procura Eusebiozinho, o gato, no cimo de uma árvore, os jardineiros, as obras, os comentários de Ribeiro Telles... O documentário foi uma encomenda da Fundação a João Vladimiro que frequentara um curso de realização na instituição e já ganhara um prémio no Indie 2006, com Pé na Terra, um filme sobre as hortas lisboetas, entre Chelas e as Olaias. Dissecou o jardim, palmo a palmo, mas não se fartou – o jardim não cansa, é um labirinto de Minotauro, como frisa Ribeiro Teles no filme. Como método usou a poesia («li imensa poesia durante a rodagem») e a observação, às vezes quase voiyeurista, mas garante nunca se escondeu atrás de nenhum arbusto ou deixou de pedir autorizações. Depois foi só ir saciando metodicamente todas as curiosidades que um jardim pode despertar. «Apercebi-me que as pessoas que o frequentam dialogam com ele. Têm conversas mentais O Jardim tem mutações, tem uma respiração, como se fosse um ser vivo», continua João que no documentário usa sempre a câmara à mão, para melhor captar o instante e fez uma montagem sem qualquer lógica narrativa, «apenas respeitando a passagem das estações». Sem voz off, com uma banda sonora quase neutra, sem discurso, «pelo menos não impositivo ainda menos descritivo», para deixar «espaço às pessoas de fazerem o filme dentro da sua cabeça.

PUBLICADA POR ANA MARGARIDA DE CARVALHO
http://finalcut-visao.blogspot.com

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