26.3.07

Rotas da Ilha Verde - comida vegetariana - the last big next thing

O Rotas surgiu por necessidade. Eu tinha necessidade de ganhar dinheiro, a Catarina também, então...

Ainda continuamos a manter o Rotas por necessidade. Eu tenho absoluta necessidade de andar por lá, a Catarina também, então...
É um vício, pronto, está tudo dito. Mas como o Alexandre não me vai largar da mão enquanto eu não escrever mais duas ou três linhas, cá vão elas.

O Rotas, menos conhecido por Rotas da Ilha Verde e mais conhecido como "o vegetariano" por pura solidariedade para com os seus colegas "o mexicano", "os chineses" , "os italianos" e o falecido "brasileira"começou por ser nos seus primórdios "aquela lojinha que vende umas cenas de artesanato e serve umas tostas de pão caseiro". Foi concebida pelo João Pacheco de Melo, um grande homem que muitas vezes passa por ser apenas um homem grande. Mais tarde invadiram-lhe a loja "de coisas da terra" a quem muita boa gente chamava Ratas, vai lá saber-se porquê, três indivíduos de aspecto duvidoso que lhe propuseram um negócio no mínimo estranho. Outra pessoa qualquer tinha chamado a polícia mas o JPM não só não o fez como alinhou no raio do negócio. E passamos conviver os quatro naquilo a que eu chamo coexistência pacífica, num espaço um pouco maior do que uma casa de banho de apartamento de vão de escada. Estava lançado o mote para que dali a ano e meio mais coisa menos coisa o Rotas se pudesse transformar naquilo que é hoje - o único restaurante vegetariano de S. Miguel e o segundo dos Açores.
Mas viúvas septuagenárias me mordam no pescoço se um dia vier a sentir que o Rotas se esgota na sua faceta de restaurante que é sem dúvida a principal.
O Rotas como é carinhosamente tratado tanto pelos detractores, como pelos tractores e pelos homens das entregas de víveres, é mais do que um mero restaurante. O Rotas é um dos espaços mais carismáticos do mundo. No ranking dos espaços carismáticos, pertinho dele está unicamente o triângulo das Bermudas( e isto porque ainda ninguém o frequentou e voltou para contar como foi) e só ainda atrás deste é que está o triângulo púbico feminino. Portanto por aí já se pode ver a importância do Rotas.
O Rotas é também o lugar onde se reune amiúde a nata da sociedade açoriana com predominância para a nata da sociedade micaelense. È que com os preços que a Sata pratica, a nata da sociedade açoriana tem que se ficar por sítios como a Sociedade Amor da Pátria ou o Bailão. E como não somos fundamentalistas a nata que frequenta o Rotas nem sequer tem de ser de soja.

No Rotas para além de se palitar os dentes de satisfação, também se esfregulha o cérebro em busca de boas ideias e toda essa higiene tem como principal objectivo atrair para o nosso espaço adjectivos elogiosos que contribuam para uma maior hipótese de eu ter um Ferrari. Eu explico: se disserem do Rotas que é extraordinário, fabuloso,etc, etc mesmo que seja uma redonda mentira, pode haver quem acredite, portanto...Não...não temos espaço para uma corrida ao Rotas...paciência...eu desisto do Ferrari. Não desisto é de tornar o Rotas num espaço cada vez melhor. Não desistimos, não é Catarina?

Já vos falei da Catarina? Bom a Catarina Ferreira é a outra metade da laranja, da beringela como ela insiste em dizer, que é responsável pelo Rotas. O Rotas é gerido por uma beringela, bonito. A beringela que gere o Rotas é porém bastante humana. É outra das coisas que distingue o Rotas do comum dos restaurantes. Há pessoas lá dentro que recebem as pessoas que vêm de fora. E recebem-nas com um sorriso corado, saudável, sincero. Não há aqui sorrisos amarelos. Se nós virmos alguém de sorriso amarelo, chamamos logo uma equipa de pintura. " Pintem-me este sorriso de vermelho, vá, rápido!!", diremos. A Lisa, o Miguel, a Raquel, a Catarina , o Mário já nasceram de sorriso posto mas há sempre aqueles dias. E nos bastidores o Ricardo e a Margarida garantem que os ruídos estranhos nos estômagos famintos se calam. Os membros da equipa do Rotas não são simpáticos por profissão, são assim naturalmente. São assim entre eles, são assim para os outros.

Se estamos a ser inovadores? Claro que não. Estamos a fazer com o Rotas aquilo que esperamos que qualquer lugar aberto ao público faça connosco. Que seja gentil, honesto, acolhedor.

Mas como disse o Rotas não se esgota na paparoca aos almoços e jantares. Há a tarde em que funciona como casa de chá, há a noite em que se parece vagamente com um bar, também pode ser uma loja de artesanato, uma galeria de arte, uma jazz store, um blog, uma estação de tv on line, uma revista... Seja lá o que for o Rotas é com certeza aconselhável a pessoas facilmente apaixonáveis.


Por estas e por outras que estão para vir o Rotas é the last big next thing



Publicado no Best Of da revista :Ilhas

4 comentários:

Marc Fernandez disse...

Eu tive o prazer de conhecer o velho Rotas e os seus encantos, tambem vi o inicio duma idea, do Rotas de hoje, mais ainda não vi esse magnifico restaurante e lugar de encontro.
Espero poder ir cedo só para voltar lá e voltar a viver tuda a magia desse cantinho do mundo.

Mário disse...

Abração, Amigo. Foste um dos que marcou o Rotas. Obrigado. Espero ver-te em breve.

Sérgio_Santos disse...

Do Rotas só conheço mesmo o blog, mas a curiosidade de conhecer o espaço, a comida, o espírito, é muita.
A julgar pelo blog, vale a pena. espero brevemente poder visitar-vos e descobrir esse mundo de vegetais sorridentes.

Cumps

Raquel disse...

Oi Mário, nao sei se vcs lembram de mim, sou a Raquel do Brasil e queria saber como foi a inauguraçao do Rotas. Fui embora de Ponta Delgada antes e nao tive o prazer de conhecer o restaurante pronto, e nem o prazer de trabalhar ai com voces. Mandem noticias. Vou deixar meu email: raquelslacerda@hotmail.com
Um beijo grande
Raquel